Namorado, Namorando, Namorido e outros estados semelhantes


“O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha”. 1 Coríntios 13:4-8

Junho, mês dos namorados! Mês do quê?, diriam alguns. Parece que namorar já é coisa do passado. Incrível que não há muito tempo atrás se falava em corte. Cortejar uma moça era coisa para especialista. E nenhum homem ousava se aproximar de uma donzela (xiii, outra espécie em extinção) sem que tivesse muito boas intenções. E muito mais que isso! Bom emprego, boas posses, bons antecedentes, boa família, e por aí vai a lista de exigências. Ah! Se fosse hoje, creio que poucos passariam no teste. Hoje a galera vai chegando e ficando. Isso mesmo! Ficando. Fica um aqui e outra acolá com o daqui que desiste e logo chega e fica com a de lá. Assim segue-se a dança do “Fica comigo só um pouquinho”. Que degradação, não é mesmo? Até parece que a gente virou um COMBO daqueles que se encontra nas lojas de Fast-Food. Bem do tipo, pagou levou na hora. Pior, muitos levam de graça. Não pagam o preço do apreço. Sim, apreciar e ser apreciado.

Investir no conhecimento, na boa conversa (que conserva os bons costumes), no desenvolvimento de uma amizade saudável e forte. Até que os sentimentos estejam bem “calçados” e não venham a “espetar o pé” de nenhum dos dois. A leviandade dos relacionamentos tem levado ao caos social. Segundo o IBGE ( Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) os dados revelam índices altos de gravidez na adolescência, uma vez que, entre as jovens de 15 a 17 anos, a proporção de mulheres com, pelo menos, um filho é de 7,3% no país. Na região metropolitana do Rio de Janeiro, esse índice chega a 4,6% e na região metropolitana de Fortaleza, 9,3%. Na comparação com as pesquisas anteriores, Maranhão, Ceará e Paraíba continuam apresentando altas proporções de jovens adolescentes com filhos.

E o que podemos fazer, como sociedade, para que isso mude? Bem, o melhor lugar para se promover mudança social é a família. É lá que formamos os cidadãos do futuro. É desde a minoridade, quando os filhos são bem pequeninos, que devemos alimentar o “tanque emocional” para que, quando forem grandes (pré-adolescência), estejam com seus corações (emoções) bem supridos de afeto, carinho, amor, respeito e encorajamento. Como disse o sábio Salomão: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.”Provérbios 4:23. Filhos amados e bem supridos emocionalmente não irão se entregar ao primeiro candidato que aparecer. Não será um elogio barato (vulgarmente conhecido como cantada) que vai contaminar o coração. Quem se valoriza não vive ficando por aí com uns e outros. Agora, namorar é muito bom! Tão bom que o casal que já vive as bênçãos do matrimônio deve cultivar por toda a existência do casamento. O namoro poderá ser uma fase muito abençoadora para os jovens, se eles souberem conduzir este relacionamento à maneira de Deus.

Como guia para um namoro abençoado, cito acima um dos capítulos mais famosos do Novo Testamento. Se guiarmos o namoro por estas recomendações seremos felizes e faremos a outra parte muito feliz também. Mas muitos não querem viver à luz destes conselhos. Daí vem o que chamamos de jugo desigual (andar lado a lado com alguém que pensa, sente e vive com base em princípios e valores totalmente divergentes). Um diz que pode transar antes do casamento. O outro sabe que Deus em sua Palavra chama isso de defraudação. Um diz que podem se acariciar e satisfazer seus desejos à vontade. O outro sabe que a Bíblia classifica isso como fornicação. Bem, então o que se pode fazer em um namoro sério e debaixo do temor de Deus? Simplificando e explicando, digo que namorados são amigos especiais e, se são evangélicos, acima de tudo, são irmãos em Cristo. Então, tudo o que você faria com seu irmão ou irmã, você pode fazer no namoro. Ou seja, carinho pode. Carícia não! O carinho desperta o amor respeitoso e o valor que a outra pessoa tem. A carícia é saque. É roubo. É satisfação pessoal usando o outro. Carícia é uma linguagem exclusiva dos casais em situação de matrimônio, melhor colocando, para quem é casado de fato e de direito.

Neste ambiente, o sexo sempre será santo e abençoado, pois ambos, marido e mulher doam-se um ao outro para sempre. Não há engano. Não há dúvidas. Isso jamais será possível na fase do namoro, pois ambos estão ainda se conhecendo e há possibilidade de não se continuar o namoro. Não caia nesta de namorido; namoro com liberdade de marido e mulher. Isso tem destruído vidas e a sociedade, gerando muitos filhos do abandono, com sua alma completamente marcada pelo desvalor. Há ainda aqueles que eu classificaria como “namorandos”. São os que permanecem namorando, namorando, e nunca se resolvem. Acabam estabelecendo uma sociedade “namoral”. De uma certa forma, acaba se tornando um estado de “ficação” perpétuo. Bem, aos pais, recomendo que sejam bons anfitriões dos amigos especiais de seus filhos (entenda-se namorado ou namorada). Procure conhecê-los de perto. Tenha um relacionamento cordial, aberto e leve com eles. Nada de cara feia que acaba sendo uma barricada (trincheira relacional mantendo distância exagerada entre vocês pais e os candidatos a genro ou nora).
Concluindo, namoro é bênção, desde que no Senhor! O amor que vem de Deus nunca falha. Confie nisto e seja feliz!

 

Pr. Paulo Falçarella
paulofalcarela@batistadopovo.org.br

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