A justiça divina

 

A justiça de Deus se manifesta, bem como a ira de Deus, porque a justiça de Deus não pode tolerar o pecado que se multiplica, pois o homem se tornou inventor de males: Romanos 1.30. Assim sendo, o homem não se satisfaz com as formas conhecidas de pecar, mas inventa outras formas mais sofisticadas e se aprofunda cada vez mais no pecado. Mas a justiça de Deus toma providências também para tirar o homem de seu estado. Quando Deus criou o homem, criou-o conforme sua imagem e semelhança, isto é, parecido com Deus em pureza e santidade. Tivesse o homem permanecido no estado original em que fora criado e seria outra a sorte da humanidade hoje.  A Bíblia não discorre sobre essa hipótese, porque seria perda de tempo e trabalho, já que o homem não permaneceu na presença de Deus. Diante dessa triste realidade,ela ocupa todo o seu espaço na preocupação divina de prover uma salvação eficiente para o pecador. A natureza divina exigia a salvação dos homens. Conhecemos Deus pelo conhecimento de seus atributos. Assim o conhecemos, quando sabemos que Ele é: Onisciente, Onipotente, Santo, Bom, Eterno, Infinito.

                  Mas a característica de Deus que exige a providência da salvação do homem pecador e incapaz de salvar-se por suas próprias forças, é o atributo Misericórdia. Deus é misericordioso e não poderia deixar o homem na perdição, pois isso feriria a sua natureza. São inúmeros os textos que mostram Deus Misericordioso, por exemplo: Gênesis 19.16; Êxodo 22.17; Deuteronômio 4.31; 2 Coríntios 30.9; Neemias 9.17; Salmo 103.8 e etc.

                  A justiça divina aplicada traz regeneração do pecador. Ao conhecer o estado de pecaminosidade do homem, e nos voltarmos para o estudo da justiça de Deus, a primeira ideia que nos vem à mente é de castigo de Deus sobre os homens pecadores. A ideia de juízo de Deus, e não de justiça de Deus. Mas, pela misericórdia de Deus, como vimos acima, é o contrário. Deus aplica a sua justiça no homem (pecador arrependido) e regenera-o (faz dele um novo homem). O homem salvo é, por isso, possuidor da justiça divina. Esse direito que só Jesus Cristo tem por merecimento, é nosso por imputação, pela fé: Romanos 5.1-21

                  A justiça divina aplicada convida à santificação. “Assim apresentastes os vossos membros para servirem à imundícia, assim apresentai agora os vossos membros para servirem à justiça para santificação” (Romanos 6.19). O texto mostra que tanto para servidão pecado como para alcançar a santidade, é preciso que o homem exerça VONTADE. “Mas agora, libertos do pecado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação e, por fim, a vida eterna” (V.22). Logo, a justiça de Deus aplicada no crente deve leva-lo à santificação.

                  Depois da santificação, virá a glorificação. O ensino de Paulo em Romanos, a respeito daqueles que alcançam a justificação pela fé, que devem buscar a santificação e se entregar a ela, seu fim é a glorificação com Cristo. Vejamos: “Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho... e aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou” (Romanos 8.29,30); veja ainda os versículos 16,17. A glorificação é o último estágio na carreira do crente, quando será semelhante a Cristo: 1 João 3.2.

                  Concluímos que:

1.              A justiça de Deus não é apenas um atributo divino que só serve para diferenciá-lo de todos os seres, mas ela é prática, sendo aplicada na vida do pecador arrependido, levando-o até à glória do Céu.

2.              A justiça divina requer a salvação do pecador, porque ela faz parte da natureza de Deus, que é misericordioso. Uma justiça que só condena não é condizente com a de Deus, que é amor. Mas essa justiça condena, quando não há aceitação do pecador, para o plano estabelecido.

3.              A justiça divina é outorgada ou atribuída ao crente arrependido de seus pecados, que começa sua carreira e termina na glória de Deus!

Deus os abençoe!

 

Pr. Enéas Tognini

Topo