A mulher sábia edifica a sua casa com o perdão

 

O perdão é uma característica predominante da mulher sábia.

Certamente o texto bíblico que mais rapidamente vem à nossa mente quando falamos em “mulher sábia”, seja o de Provérbios 14:1: “A mulher sábia edifica a sua casa, mas a tola destrói com suas próprias mãos”.

Diante da verdade dessa afirmação, poderíamos da mesma maneira afirmar que a falta de perdão é uma das principais, se não a principal, causa de destruição de lares, de famílias.

Estudando a história de Davi, três mulheres diferentes me chamaram a atenção por terem sido igualmente identificadas como “mulheres sábias”, e pela mesma razão: a característica de promoverem a paz, a reconciliação por meio do perdão.

Vamos analisar estas passagens bíblicas, não tão conhecidas quanto a de Provérbios 14:1, mas que comprovam esse fato tão detalhadamente:

A primeira delas foi Abigail. (I Sam. 25:3)

A sua história, bem mais conhecida que a das outras, revela uma mulher que, rapidamente, tomou a decisão de se colocar como pacificadora entre Davi e seu esposo, depois que Nabal provocou a ira do futuro rei de Israel com sua brutalidade e ignorância. A Palavra descreve Abigail como uma “mulher de bom entendimento” (sábia), enquanto seu marido é descrito como um “homem duro e maligno nas obras”. No entanto, a boa ação desta sábia mulher prevaleceu e foi mais poderosa, em prol da paz e do perdão, do que os sentimentos e comportamentos maus de dois homens irados, a favor da vingança e da maldade!

Não foi a força de Davi, nem tão pouco o poder de Nabal que ganharam destaque nesta história, que teria um final trágico se esses homens fossem os protagonistas, mas foi o entendimento de uma sábia mulher, que buscou o perdão para que sua casa não fosse destruída, mas edificada!

Um pouco mais adiante, vemos uma segunda atuação, literalmente encenada por uma mulher que nem sequer tem seu nome informado nas Escrituras, é identificada apenas como “uma mulher sábia”, em II Samuel 14:2.

Neste episódio, Davi está novamente em dificuldade, desta vez no relacionamento com o próprio filho. Eles, pai e filho, ficam mais de três anos sem comunicação, depois que Absalão mata seu irmão Amnon, o primogênito de Davi, e foge da presença do pai. Ainda que ligados pelos laços familiares, ambos viviam a angústia deste distanciamento, sem aparentemente terem forças para tomar uma iniciativa de reconciliação. Até que Joabe, um dos valentes de Davi, traça um plano e vai buscar uma “mulher sábia” lá de Tecoa, para colocá-lo em ação, dramatizando, com uma interpretação convincente, uma ilustração que levou o rei a se identificar com a sentença de paz que ele mesmo deveria promover em sua família. Mais uma vez, Davi é levado a perdoar um “condenado”, por intermédio da atuação pacificadora de uma mulher sábia! Essa mulher também foi usada para restaurar a casa já quase caída da família de Davi.

 

A terceira mulher sábia é fantástica!

Escondida por trás dos muros de uma cidade, essa mulher aparece dando um grito pela paz, muito mais eficaz do que os inaudíveis discursos diplomáticos entre as Organizações das Nações Unidas. Sua história está narrada em II Samuel 20, quando o mesmo valente, Joabe, agora se coloca como defensor de Davi cercando uma cidade inteira para levá-la abaixo pela culpa de somente um traidor que nela se refugiava, Seba, líder de uma rebelião em Israel contra o rei. “Então, uma mulher sábia gritou de dentro da cidade...” Que ousadia corajosa teve esta “pacífica e fiel em Israel”, que apresentou a si mesma dessa forma no verso 19, para interceder pelos seus concidadãos e prometer ao inimigo a cabeça do único réu em troca do livramento de morte de toda sua cidade. “E a mulher, na sua sabedoria, foi a todo o povo, e cortaram a cabeça de Seba, filho de Bicri, e a lançaram a Joabe; então este tocou a buzina, e se retiraram da cidade, cada um para a sua tenda, e Joabe voltou a Jerusalém, ao rei” (22). Mais um final feliz (ou pelo menos, menos triste) em outro capítulo da vida de Davi, graças à intervenção pacífica de uma mulher sábia, pleiteando o perdão, para sua inocente cidade não ser destruída!

Essas são as três referências bíblicas de mulheres sábias que nos ensinam a promover a paz, viabilizar o perdão e estabelecer a reconciliação como fiéis pacificadoras, não só da própria casa, como fez Abigail, mas também de outras famílias necessitadas, como fizeram as outras duas sábias mulheres anônimas de II Samuel 14 e 20.

Que você e eu, tanto homens como mulheres, possamos edificar nossas casas com a paz de Deus, e não destruir famílias com a ignorância humana, pois errar é humano, perdoar é divino, mas promover a paz é sabedoria divina edificando o ser humano caído!

 

Marina M. Kumruian
Equipe Mulheres no Espelho

 

 

 

 

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