Uma decisão difícil

Perdoar muitas vezes leva tempo por se tratar de algo que machuca profundamente. Mas é o único remédio para tratar a ferida

 

Soube recentemente que o pai de uma amiga sofreu um sério acidente de moto e está internado. A família toda é do Piauí e, por isso, o contato com a mãe é frequente por mensagens pelo celular​. Então, ao receber um telefonema dela, logo entendeu que algo grave havia acontecido. Mas a mãe não foi a única a ligar. Os irmãos também. Todos dizendo que ela precisava perdoá-lo.

 

O divórcio dos pais aconteceu quando minha amiga ainda era criança. Em meio a muitas lágrimas, ela me contou algumas das coisas ruins que ele tinha feito e tantas outras piores que tinha dito. Naquele momento, ela disse que não o perdoaria apenas porque ele está no hospital. Se tivesse que perdoar, que não fosse por isso. A vontade era de “esfregar na cara dele” quem ela é e o que conquistou.

 

Depois de ouvi-la, falei: “Não sei o tamanho da dor que você sente e o quanto isso a machucou. Mas, apesar de tudo o que ele lhe disse, você deveria agradecê-lo. Pode parecer loucura, só que foram todas essas palavras contrárias que te deram força e fizeram você ser quem é e estar aqui hoje”.

 

Com ela em meus braços, continuei dizendo que “o perdão não é algo que se sente aqui (apontando para o coração). Ele acontece aqui” e toquei de leve em sua cabeça. “Não pense que vai chegar um dia em que você vai sentir de perdoá-lo. Perdão é decisão e, enquanto você não o faz, quem sofre é você”.

 

O pai ainda está internado e não sei se minha amiga o perdoou. Só sei que essas palavras a fizeram olhar para a situação e para o passado de uma perspectiva bem diferente.

 

Nós mulheres, somos dotadas de uma capacidade enorme de guardar fatos que nos desagradaram ou que, de alguma forma nos machucaram. Isso fica ainda mais claro no relacionamento homem versus mulher, seja dentro do casamento ou no namoro.  De um jeito descontraído, o pr. Cláudio Duarte exemplificou numa de suas mensagens que a cabeça do homem é toda compartimentada em caixas. Se o marido chega em casa e percebe algo de errado na esposa, ele abre a “caixa do hoje” para saber o que pode ter feito. Mas ela, está na “caixa de cinco anos atrás”.

 

O fato é que precisamos decidir não guardar essas mágoas, seja quem for o causador - pai, marido, filhos, amigos, irmão​ da igreja. Não deixar que as pequenas coisas se somem a outras e se avolumem. Assim, cumprimos o que Jesus disse sobre a necessidade de perdoarmos tantas vezes quanto for necessário (Mt. 18:21,22) e praticamos o amor.

 Setenta vezes sete.

 

Gabriela Rodrigues

Jornalista

Equipe Mulheres No Espelho

 

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