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Cristianismo Líquido

 

É papel de todo crente em Jesus propagar o evangelho e cumprir o “ide” pregado por Ele. E a igreja brasileira tem feito seu papel na última década, em que temos observado o crescimento extraordinário da população evangélica no Brasil. Em 10 anos, os crentes cresceram 61%, atingindo a marca de 50 milhões de pessoas, ou seja, 25% da população.

Sem dúvida, esse é um índice estimulante e celebrado por toda a liderança evangélica no país, mas será que essa população tem sido luz no meio em que vive (Mt 5:16)? Será que somos capazes de acolher e discipular todos esses novos convertidos à família de Cristo e ensiná-los na Palavra os ensinamentos de Jesus (Mt 28:18-20)? Será que podemos dizer que a Igreja de Cristo é reconhecida por amar uns aos outros (Jo 13:35)?

Nos últimos anos, temos observado o crescimento da violência no Brasil, os números são assustadores. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), os índices de homicídios no Brasil são epidêmicos, com 154 assassinatos por dia e um crescimento de 7% entre os anos de 2011 e 2012 (que contribuem para o crescimento de 124% nos últimos 30 anos).

Além disso, os índices de violência contra a mulher também têm aumentado. Na última década a violência cresceu 17,2%, sendo que a maioria dos casos acontece dentro da própria família.

Outro indicador preocupante de crescimento é o número de divórcios no Brasil, que dobrou na última década, segundo o IBGE. Os números atingem a população brasileira e também a população evangélica, o BEPEC (Buerau de Pesquisa e Estatística Cristã) divulgou pesquisa que afirma que 11% das mulheres evangélicas casadas admitiram que já traíram seus maridos, e 25% dos homens evangélicos casados já traíram suas esposas.

Além dos fatos que afetam nossa sociedade e nossas famílias, ainda encontramos índices preocupantes quanto à missão principal do crente de anunciar o evangelho. Segundo pesquisas recentes, o crescimento evangélico não tem resultado no aumento do número de missionários, apontando estagnação e até mesmo declínio. Em uma análise feita pelo site Fatos em Foco, o número de missionários na igreja corresponde a 0,1% da quantidade total de membros.

Mas o que esses fatos indicam? Se a população evangélica cresceu, o mais lógico seria que todos esses índices de destruição de famílias, como divórcio e homicídios, também diminuíssem, pois 25% da população brasileira vivem como imitadores de Cristo.

“Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” – 1 Co 11.1

Mas não é isso que os indices demonstram. Os valores que Cristo viveu e pregou parecem cada vez mais afastados dos crentes, que parecem viver sem conhecer as Escrituras Sagradas e sem praticar verdadeiramente o evangelho (Mt 7.26).

Quando me deparo com esses índices sinto que não entendemos a parábola da casa construída sobre a rocha e sobre a areia contada por Jesus. Vejo um cristianismo líquido, construído cada dia mais sobre a areia e que se perde no meio dela, com valores confusos que se confundem com valores de outras crenças, filosofias e seitas.

Olho para o povo de Deus e não vejo a Cristo, não os reconheço por amarem uns aos outros ou perseverarem na dificuldade. Vejo um povo que só sabe olhar para dentro e lutar pelas suas próprias batalhas, um povo egoísta e que se esqueceu do Reino e só pensa em si mesmo, tanto que nem mesmo ao campo missionário tem ido mais.

Na verdade, muitos cristãos têm ido à igreja por dois motivos nos dias de hoje. Ou como pronto-socorro espiritual, buscando cura e solução para seus problemas familiares. Ou então para a busca desenfreada de bens materiais, afinal, escuta-se o tempo todo: “Deus proverá”, não é mesmo?

Deixamos de ser a geração reconhecida por amar uns aos outros, e passamos a ser a geração que busca a prosperidade pessoal a qualquer custo. Igrejas que contam vantagem pela prosperidade de seus membros, crentes que querem apenas a prosperidade pessoal para aumentar seu próprio reino.

Até quando vamos viver para nós e ignorar o Reino? Até quando vamos pregar a Palavra sem vivê-la? Até quando viveremos esse cristianismo líquido e influenciável?

Eu tenho um sonho, sonho de uma nação que viva a Palavra de Deus e que busque primeiro o Reino e sua justiça, pois sabe que Deus não desampara os seus filhos (Mt 6.33).

Roberto Palazo – Membro IBP