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Unidade através da dor

 

No último mês, o mundo ficou chocado com mais um vídeo do grupo extremista Estado Islâmico. Nele, 21 cristãos coptas foram decapitados em frente às câmeras por um único motivo: sua fé. Para aqueles que tiveram coragem de assistir até o final, a crueldade do vídeo impressionou pela brutalidade.

Essa ação gerou uma campanha no Brasil (e imagino que em outras partes do mundo) de jejum e oração no último dia 20/02, em favor dos cristãos coptas sequestrados na Líbia, e também de toda a igreja perseguida. Personalidades cristãs juntaram-se à campanha, publicando nas redes sociais e incentivando cristãos de todo o Brasil a unir em oração e jejum.

Esses dois episódios chamaram minha atenção para um fato. Ninguém procurou saber por que chamavam aqueles 21 homens de cristãos coptas? Em que eles acreditavam? Que princípios teológicos seguem? Eles acrescentaram algum livro apócrifo à Bíblia?

Se você ficou curioso sobre essas questões, pode procurar no Google e descobrir as respostas. Mas o fato é que essas perguntas perdem importância, mediante o sangue dos mártires derramado pelo grupo extremista Estado Islâmico. Tanto que eles não foram chamados pelo grupo terrorista de cristãos coptas, mas de “O povo da Cruz”.

Fernanda Brum comentou numa entrevista sobre esses mártires:

 “A unidade da igreja só acontece através da dor. Quando um irmão é perseguido, nós nos unimos para protegê-lo em unidade.”

Diante de atos horríveis como os praticados pelo grupo radial islâmico, ou contra qualquer igreja perseguida, nossas diferenças doutrinárias ficam pequenas demais.

Discussões teológicas e entendimentos sobre diferentes pontos da Bíblia perdem importância. Calvinistas ou Arminianos, Batistas ou Presbiterianos, Tradicionais ou Pentecostais e todas as diferentes denominações perdem importância, quando algum irmão sofre por professar sua fé em Cristo Jesus.

O sangue dos mártires derramado na Líbia não assustou os cristãos e, neste momento, cada um de nós consegue entender o que Paulo disse aos Romanos: “Chorai com os que choram”.

Mas, além de chorar pelos nossos irmãos assassinados brutalmente, precisamos abrir nossos olhos por quem vivemos e para quem vivemos, que é para Cristo. E, se de fato declaramos viver para Jesus, devemos pedir a Ele que nossas limitações humanas sejam superadas, para que possamos viver o mandamento principal de amar a Deus e a nossos irmãos.

Como Paulo afirma na carta aos Coríntios: nada tem valor maior que o amor, pois nenhuma teologia, nenhum dom, nenhuma fortuna e nem mesmo a fé, nada poderá mover montanhas (1 Co 13: 1-3). Sem o amor, todas essas coisas são vãs.

Minha oração é para que a morte dos 21 mártires inflame nossa alma e espírito para que possamos pedir ardentemente a Deus que nossos corações sejam menos duros e mais amorosos. Que o perdão seja frequente e, assim como Cristo nos ensinou, nossa marca principal seja o amor.

As diferenças existem, mas que elas se tornem pequenas demais perto do amor. Que os 21 mártires nos remetam ao sacrifício de Cristo, e possamos nos unir em um só corpo, em verdadeira unidade.

 

Roberto Palazo – Membro IBP

 

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