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Retratos de Cristo

 

Quem o povo diz que eu sou?” – Mc 8:27

Existe uma diferença entre a maneira como nos vemos, e a maneira como os outros nos veem. Essa disparidade é construída pelas nossas atitudes e condutas que temos e pela percepção do outro. Geralmente amigos mais próximos tem um olhar mais intimo, conhecendo partes da nossa história e aspectos bem íntimos de nossa alma. Quanto que aqueles mais distantes nos veem por nossas atitudes e condutas.

Essa diferença aparece inclusive na vida de Jesus descrita no evangelho de Mateus, quando Cristo pergunta aos seus discípulos como os homens o veem e as respostas são as mais variadas possíveis. Depois ele pergunta como os discípulos o veem, e Pedro responde que ele é o “Cristo, o filho do Deus vivo”.

Essas diferenças me fizeram pensar no desafio que todo cristão tem ao escolher seguir a Jesus. Nossa caminhada de vida a partir do momento que cremos no Filho de Deus é para uma mudança diária de nossas atitudes e caráter para que a cada dia sejamos mais parecidos com Cristo. Porém eu fico me perguntando, será que todas as pessoas enxergam essa mudança? Será que conseguimos mostrar o Messias através de nossas vidas?

Ricardo Franzem gravou um documentário intitulado “Como o mundo te vê” em que ele questiona exatamente esse ponto, abordando diversas pessoas e perguntando como elas veem o cristão, Jesus e a Igreja. As respostas são as mais variadas possíveis, o que me evidenciou que nós estamos fracassando ao imitar a Cristo e conseguir de fato representar a imagem correta de quem Ele é para todas as pessoas.

Mas por que será que não conseguimos fazer com que as pessoas enxerguem Cristo através de nossas vidas? Essa pergunta ficou martelando minha cabeça por alguns dias, até que caiu em minhas mãos um texto do educador e professor Rubem Alves chamado “O Retrato”.

Nesse texto ele constrói uma narrativa dizendo que nós não nos apaixonamos por uma pessoa específica, mas pelo retrato que fazemos dela. Pintamos a cena com os nossos olhos, criamos expectativas e desenhamos uma imagem magnífica pela qual nos apaixonamos. Essa metáfora aplica-se muito bem quando falamos de casais, e de como a maturidade do relacionamento traz algumas frustrações por que vamos descobrindo que a realidade do quadro não é a mesma que pintamos.

Então eu comecei a pensar na metáfora com relação a Cristo. Quando aceitamos Jesus como nosso salvador, vivemos inicialmente o primeiro amor. Apaixonados, começamos a descobrir o filho de Deus através de Sua Palavra e de nossas experiências com o Espírito Santo. E a partir desses fatos começamos a desenhar os primeiros traços do retrato que fazemos de Cristo.

Para verificar essa visão eu resolvi abordar alguns irmãos perguntando como eles veem Jesus e ouvi diversas respostas distintas: Pai, irmão, doce, firme, poderoso, Rei, servo, intrigante, Filho de Deus e Eu sou.

O mais curioso não foi a resposta, mas o comportamento dessas pessoas. Aqueles que responderam que veem Jesus como pai, tinham um comportamento protetor. O que responderam que o veem como irmão, eram extremamente amigáveis. Os mais agressivos no modo de falar veem-no como firme, enquanto que os mais amorosos o veem como doce. Aqueles que o enxergam como filho, eram extremamente humanos, enquanto que os que o enxergam como o “Eu sou”, eram extremamente espirituais.

Todas essas visões e aspectos são características de Jesus Cristo que podemos perceber ao ler a Bíblia e conhecer mais desse homem. E o mais interessante dessa experiência foi notar que cada um expressa o retrato que fez de Cristo. Mas o que tem de errado nisso?

Pense comigo: se expressamos apenas o retrato que fazemos de Cristo, como as pessoas verão quem Jesus é de fato através de nossas vidas?

Ao reduzirmos Cristo a apenas um retrato particular, também reduzimos a experiência que temos de transformação em nossas vidas. Precisamos ter a coragem de pegar essa imagem que desenhamos do filho de Deus aos nossos olhos, e começar a confrontá-la com todos os aspectos que Jesus apresentou quando se fez carne. E como fazemos isso? Lendo a Bíblia e orando para que Jesus revele-se a nós e transforme nossas vidas.

A construção do retrato de Jesus não pode ser através dos nossos olhos recheados de medo, preconceitos e com nossas experiências particulares, pois desta forma somente iremos expressar Cristo sob a limitação do nosso olhar.

Precisamos entregar a construção do retrato de Cristo a Deus, e pedir que Ele retire tudo que distorce nossa visão, e revele ao nosso coração quem Jesus é de fato. E que possamos ser confrontados com esse retrato de Cristo, aos olhos do Criador, para que sejamos de fato imitadores de Jesus. Só assim, nós diminuiremos de fato e Cristo crescerá (Jo 3:30), e o mundo poderá ter uma visão mais real do Filho de Deus através da sua, da minha e da nossa vida.

 

Roberto Palazo