“Seu João” conta como saiu das ruas e das drogas

"Seu João" conta como saiu das ruas e das drogas

Olhando a foto deste homem cabisbaixo e com a barba por fazer, nem dá pra perceber que é a mesma pessoa que conhecemos. Trata-se de João Euclides Almeida ou apenas o “Seu João”, como é conhecido hoje em dia. Esse retrato relembra uma fase de sua vida que poderia ter sido apenas esquecida, dentro de um baú antigo, mas o “jovem” senhor de 52 anos faz questão de contar sua história de transformação, pois “pode salvar alguém”.

Era o início da década de 90, o Brasil passava por algumas transformações políticas e econômicas e, apesar das estatísticas mostrarem que o desemprego estava aumentando, uma profissão quase nunca lembrada entrava em ascensão: a de soldador, exatamente o que João fazia. Até aí, não havia nada de errado. Ele ganhava seu salário, morava sozinho, divertia-se aos finais de semana. A vida ia bem, até que João começou a beber e, em seguida, a usar drogas. Era o início de um longo caminho a ser trilhado...

Anos mais tarde, o efeito das drogas em João começou a atrapalhá-lo no emprego. Já era visível o problema da dependência química. Quando ia visitar sua família, outro drama: “Eu me segurava e não pedia ajuda para ninguém. Eles me perguntavam se estava tudo bem e eu dizia que sim”, recorda-se.

Com o tempo, João perdeu o emprego, bens e, por fim, a dignidade. “Passei a morar em alojamentos, pensões, mas depois saía. Eu saía e andava pelas rodovias a pé. Cheguei a ir para o Rio de Janeiro e Belo Horizonte assim. Às vezes, dava na minha cabeça e eu saía andando. Mas um dia eu pensei que fosse morrer. Um cara dentro do carro passou bem perto de mim e deu dois tiros. Pegaram na placa. Foi livramento”, conta.

Daquele dia em diante, o andarilho sabia que precisava fazer alguma coisa para mudar aquela situação. Em 2011, voltou para São Paulo e tomou conhecimento da Associação Beneficente & Comunitária do Povo (ABCP). “Antes eu apenas vinha para conseguir minha certidão de nascimento, tomar café e pegar roupas limpas. Ainda saía reclamando que não me serviam”, afirma João.

Certo dia, durante uma pregação no café servido aos sábados na ABCP, a vida do “Seu João” foi transformada. “O irmão pregou sobre pessoas que rejeitam a Cristo e não dão ouvidos à Palavra, não colocam Deus em suas vidas desde a infância e por isso padecem. Não aguentei mesmo, comecei a chorar, ergui a mão, fui lá à frente e aceitei a Jesus. Mesmo assim ainda fiquei uma semana na rua”, relembra.

No sábado seguinte, João voltou à Associação, mas estava muito fraco por causa do uso frequente de crack, maconha e cachaça. “Eu havia conseguido uma vaga em uma clínica terapêutica. Me levaram para lá, porém eu não passei muito bem. Precisei ir para o hospital e lá fiquei 13 dias internado. Recebi a visita do Dr. Gilberto (presidente da ABCP) e ganhei uma Bíblia. Foi muito emocionante porque me ajudou a me conectar mais a Deus. Hoje eu tenho vida em abundância”, comemora.

Depois de sua recuperação, João deu continuidade a todos os passos para sua reinserção à sociedade. Deu a volta por cima e hoje trabalha na Casa de Apoio, um dos projetos que a instituição mantém. Lá, ele é responsável pela alimentação dos homens e jovens que chegam para se recuperar. “Ali eu auxilio a educá-los”, explica.

Mas não para por aí: João também é voluntário na ABCP. Está lá quase todos os dias, principalmente aos sábados durante os cafés da manhã. Seu trabalho é tocar o violão e cantar músicas que falam de fé e esperança. “Não conheço nenhuma nota no violão. Eu realmente não entendo nada, eu tiro tudo do ouvido. Para mim, é um dom de Deus”.

Atualmente, “Seu João” é aluno dos cursos de Música e Missões do Centro de Formação de Líderes (CFL), da IBP. “Nas minhas orações, eu nunca peço bem material, só sabedoria da Palavra dEle para me instruir no louvor. Quero adorar e trabalhar na obra corretamente”, conclui.

 

Por Diana Gilli